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Humm, há coisas que me fazem muita impressão e que me custam muito…
Por exemplo, a hipersensibilidade dos meus dentinhos que todos os dias sofrem algum tipo de choque térmico. Para não falar das manhãs que escaldo a língua porque a minha mãe se esquece do leite no microondas! Bem, mas isto tudo numa corridinha matinal pela casa, à procura dos livros que deixei não sei onde, á procura de uma camisola que veio de lavar e que falta passar, do telemóvel que á pressa pus a carregar mas que possivelmente ficará sem bateria novamente…enfim, uma corrida temporizada de 30 minutos (quer dizer, 20 porque meto o telemóvel a despertar para as 7.30 mas acordo sempre para adiar esta dura realidade e automaticamente toca 10 minutos mais tarde). Precisamente 8:00, vizinho Marco que mais parece o Cuco, toca pontualmente à minha campainha e a minha mãe, TODOS OS SANTOS DIAS, intimida-me dizendo “vais perder o autocarro”. (Estas tentativas levaram-me a melhorar, perdia o autocarro com bastante frequência, hoje em dia, sou sempre a ultima a entrar no dito cujo, mas entro, é o que interessa!). Esta corridinha matinal dá-se com um humor desgraçado, nem sei como é que a minha mãe ainda se voluntaria para me fazer o pequeno-almoço…conclusão, por vezes acabo por não fazer as coisas que queria, e quando faço, faço mal…e isso custa.
Custa-me muito a falta de humildade, de justiça, a arrogância de muitos e a verdadeira pobreza.
Custa-me assim-assim…abusar dos chocolates num dia e depois andar semanas a livrar-me das malditas borbulhas!
Custa-me, contarem-me duas versões da mesma história, falarem mal dos meus amigos ou tentarem fazer-me de parva e conseguirem.
Por outro lado, não me custa nada…
Procurar pechinchas em longos passeios pela feira da ladra, chegar a casa e ter uns pãezinhos de leite fresquinhos ou encontrar uma nota perdida na calçada, ou numas calças que não visto há 2 meses!
Por outro lado, não me custa mesmo nada, falar pelos cotovelos, ouvir os desabafos e descontentamentos de outros, dar conselhos e ficar com os meus problemas por resolver.
Coisas que detesto… detesto seguir tendências e opiniões, tento sempre formular uma teoria completamente diferente das da maioria. Detesto hipocrisia, injustiça, esquecimento, inconsciência, ratos e erros no discurso.
Adoro brincar e ser séria, versátil como um camaleão nas cores, esse maroto que alucina quem o observa! Adoro comunicar, andar de balancé a falar do Santo Graal e de anelídeos, até nos sugarem as melgas. Adoro o pôr-do-sol numa esplanada junto ao mar num fim de tarde de Outono de cachecol e luvas postas, adoro o verde da natureza, o azul do mar, desporto,aventuras, livros, risos escancarados, animais, arrepios na espinha, olhares, comida, roupa, música, praia, frio, o som da chuva, os beijinhos do Hugo…
Adoro mais que detesto, logo vivo mais que rezingo.
É desta mistura que surge a minha pessoa, criatura afável e que gosta de dormir.
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